segunda-feira, 19 de maio de 2008

Redução da jornada sem redução do salário


Outro dia, não muito distante deste, no qual posto mais um artigo, deparei-me com um artigo que propunha ao governo que se lançasse à uma nova atividade de trabalho, reduzindo a jornada sem reduzir o salário do trabalhador, assim, em turnos diferenciados, para que outras pessoas pudessem trabalhar "tendo acesso ao trabalho formal e uma remuneração melhor", seguindo as palavras de Vivaldo Moreira, autor do texto que pode ser encontrado no seguinte link:

http://www.conlutas.org.br/exibedocs.asp?tipodoc=noticia&id=1107

1. Redução da jornada

Até aí está tudo nos conformes. A minha opinião é a mesma e, particularmente, já estudei sobre o caso. A questão diferencial é que Vivaldo Moreira deixou claro em seu artigo que, infelizmente, falta argumentos objetivos para a proposta e que há uma discrepância com a realidade. O autor acabou afobando-se ao ignorar certos pontos do mundo contemporâneo, um mal comum que aflingi boa parte das políticas de esquerda hoje. Assim, considerando que sua proposta é reformadora e não revolucionária, devemos nos ater a tais pontos.
No artigo, especifica-se diversas manifestações e uma delas diz respeito à proposta da General Motors de gerar empregos doravante redução salarial. Esta é uma tática do mundo liberal e dos economistas ortodoxos para aumento de produção via depreciação do trabalho operário, e assim, atender a demanda afim de arcar com os lucros conseqüentes, em outras palavras, há um certo lucro, não fixo, porém com uma média constante com a qual, não se pode obter mais capital do que o adquirido num determinado espaço de tempo, e considerando este montante, há de se fazer um novo lucro, ainda maior que o primeiro, contratando mais empregados para aumento de produção e atendimento da demanda, o que faz com que a empresa arque com um déficit temporário na contratação destes, e para regular este déficit, afim de estabilizar as perdas, reduz-se o salário dos empregados mais antigos. Seguindo na explicação, revela-se a queda brusca de trabalhadores da GM em 30 anos, equivalente a 460 mil funcionários, que podem ser explicadas pelo infeliz crescimento tecnológico, entretanto, é bem verdade que a GM poderia continuar a pagar seus funcionários sem que houvesse uma perda absurda, resultado da ação capitalista.
Levantando esta bandeira, o autor outorga a luta pela redução da joranada, sem redução de salário tendo em mente os seguintes aspectos: o custo dos salários brasileiros é um dos mais baixos do mundo, o peso dos salários no custo total de produção é baixo, e o processo de flexibilização intensificou o ritmo do trabalho.
O custo dos salários brasileiros é inquestionavelmente um dos mais baixos do mundo, entretanto, considerando o Brasil, infelizmente este não é um motivo sem contra argumento pois, a federação brasileira conta com um aparato estatal hiperdimensionado e com gastos de alto nível. Considerando este hiperdimensionamento estatal, regulador das ações do país, como uma das maiores armas do Poder Executivo hoje, pode-se dizer que os gastos do Estado vão muito mais além do que se imagina e que, portanto, o aumento do salário mínimo ou a diminuição do capital obtido via produção, pode influir em declínio monetário exageradamente alto, já que, além do capital, não alimentar estes setores pode culminar na queda do poder regulatório do Executivo ou na perda de apoio político. De maneira geral, para um partido sério que assumisse o poder no Brasil, este seria um problema a ser passado.
Uma vez que os salários da classe são baixos, pouco pesarão no produto final da balança de pagamentos, no PIB ou onde preferir questionar. Não existe empecilho para tal assunto, uma vez que a economia nacional, passando ainda que por oscilações, vem passando por um bom momento e o capital absoluto tende a aumentar.
Quanto ao chamado processo de flexibilização da legislação trabalhista, hei de discordar da afirmação pois, a CLT, sendo a chamada principal arma do trabalhador, na verdade tem um efeito contrário. A cada ano são votados PL em relação às leis trabalhistas e muitas delas são aceitas, inchando o conjunto e criando uma regra para cada ato, inicialmente a favor do trabalhador, entretanto, lembrando os primórdios da sua criação no governo Vargas, vinculando-o ainda mais ao Estado, retirando-lhe a liberdade de luta, regulando cada indivíduo e apazigüando ânimos, o que diz respeito também as classes sindicais. Segundo o texto, este processo, especificado da década de 90, intensificou o ritmo de trabalho, porém, foi esquecido que em todos os cantos do mundo a intensificação do trabalho também ocorreu, advindo do próprio capitalismo. Os anos 90 foram os principais anos do início do capitalismo absoluto (de mãos dadas com o Liberalismo), considerando o final da Guerra Fria e os novos processos de integração dos Estados (como os blocos regionais), seguido do processo de pós modernização e também da globalização. Com estes critérios observados, deve-se lembrar que com mão-de-obra renovada e barata, nova corrida ecônomica, os processos de interdepêndencia entre Estados e principalmente com a expansão do mercado, e isto somado ao final desta década, as novas tecnologias, o aumento do poder aquisitivo das classes via adaptação do sistema de crédito e a expansão do comércio capitalista para as classes mais carentes, o ritmo de produção foi elevado afim de atender as novas demandas que aumentaram gradativamente.
Seguindo cronologicamente o texto, Vivaldo afirma que o prejuízo da proposta à competitividade internacional, argumentado pelos empresários, seria uma mentira. Considerando os argumentos citados à cima, devemos admitir que os empresários não estão mentindo, pelo menos a curto prazo. Ao empregar trabalhadores sem redução salarial, o tesouro nacional sofreria uma queda, uma vez que deveria fazer investimentos em várias áreas, administrativas e de execução sem lucro imediato; afinal de contas, contratar não é uma solução direta no capitalismo. Os gastos viriam de vários setores, inclusive relacionados aos financiamentos, gasto alto governamental. Com o tesouro reduzido, o investimento interno e externo, assim como a compra de produtos essenciais referentes à utilização dos novos trabalhadores contratados, principalmente na área rural, estaria ameaçada num país em que o gasto público é tão elevado e os sistemas de regulação típicos do Estado, em suas diversas áreas no país, estão sempre elevando suas demandas, podendo então, endividar-nos.
Com os aspectos mencionados anteriormente, a solução para este impasse seria de fato reduzir o tesouro nacional e botando como primeiro plano de governo a proposta, sempre investindo nas áreas necessárias. No primeiro momento, a dívida será inevitável e a inflação de custos conseqüente; assim como todo investimento, há as primeiras conseqüências. Ainda assim, existem saídas viáveis e já utilizadas pelo Brasil para tais fatos como aumentar a circulação de capital interno, produzindo inflação com espera de superação da mesma, através da elevação de aquisição de produtos. Por outro lado, o problema da dívida com o teto salarial e as demais seriam resolvidos à curto prazo, já que, expandindo os empregos a demanda estará também aumentando, o tesouro nacional voltará a crescer, uma vez que sobrando tempo ao trabalhador e não diminuindo seu salário, sem o aumento da carga tributária, conseqüentemente aumentando seu salário real, ele estará aumentando a circulação de moeda no plano interno conveniado com a ação dos órgãos vinculados. Com a redução da jornada de trabalho de 8 horas para 5 ou 6 horas, por exemplo, devemos lembrar que a produção ocorreria em maior quantidade, já que ao invés das 8 horas exemplificadas, para o Estado estariam sendo realizadas 10 ou 12 horas de produção. Ainda com o aumento da produção, deve-se lembrar que a exportação também irá crescer, principalmente se investida nos setores de acesso ao mercado internacional.

2. A mão-de-obra reserva

Contextualizado a situação da proposta e seus problemas e resoluções primárias, ainda resta definir uma situação bloqueadora do encargo de novas vagas trabalhistas. O capitalismo, que vem sempre se adaptando aos novos tempos, foi capaz de
instituir a chamada mão-de-obra reserva, que a grosso modo significa dizer que indivíduos estejem às margens da sociedade, uma vez que estejem também às margens da economia, para que sua posterior utilização, caso seja necessária, tenha um custo muito baixo.
A situação atual do trabalhador, como um todo e no mundo inteiro, principalmente nos países mais pobres, por obviedade, e na América Latina (residência de muitos desses países) é simplesmente famélica. Estes, que já estão empregados, sofrem com baixos salários e a falta de assistência social que lhes é devida, tanto por parte do Estado, quanto por parte dos monopólios privados. Ainda assim, não podem largar seus empregos para que se faça melhor ou para combater a própria alienação pois, há indivíduos desempregados que aceitarão situações ainda mais controversas que as primeiras como um salário ainda mais reduzido e menos assistência social e, por muitas vezes, patrões que influam em suas vidas pessoais.
Como um todo, a situação também é muito bem vista ao Estado, já que, a substituição da mão-de-obra barata pela substituição da mão-de-obra quase gratuita, equivale à lucros.
Devemos então nos ater à situação real e levantar a bandeira de que não acabaremos com o desemprego, mas sim, usando a proposta de redução da jornada, diminuiríamos o mesmo, pois, afirmar ao trabalhador que haveria emprego a todos seria alienar os mesmos e admitir que o sistema capitalista pode adaptar-se à sociedade em igualdade e a luta proletária seria reduzida à nada.
Dito as barreiras e especificados os problemas, todo o apoio à Vivaldo Moreira e o proletariado! Levantemos a bandeira da redução da jornada sem redução de salário!

Sujeito a mudanças certas.
Foto: Eu

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Mais uma "poesia" ...

Saudações aos perdidos que se encontram no meu blog pela raridade.
Enquanto continuo com meu atual artigo que, espero eu, em breve estará a disposição também aqui, tomei a liberdade de escrever uma poesia baseada, não só na existência como um todo da "nova moral" liberal como também na podridão do pensamento humano de muitos que me cercam, amigos ou não, principalmente os que não são, mas admito que me vejo muito decepcionado com alguns que se fazem presente na minha vida.

Moralidade Social

Na sociedade viril, enferma, mascarada
só as párias vivem de alma lavada
Todos os dias, os mesmos, sonham sem esperança
e a descrença na humanidade, já se faz a herança
Pois, a hipocrisia que me asola
é a mesma que a tua moral esfola

Eis que estruge, ao longe no pântano urbano
a torpe sirene do raiar tirano
Matemos, por favor, alguns desempregados
que o mercado, que se regula, está congestionado
Nada mais justo para quem da revolução se retém
o ímpeto da morte que te convém

Tá que a taquicardia já tornou-se rotineira
afim de regular o nosso amálgama que devaneia
E o futuro não se reestrutura em analepsia
já que não satisfaz o presente, o passado em anartria
Sociedade bela, livre de temores
indivíduos martirizados, banhados de tumores

Cada olhar das pessoas que te cerca
deprimem inúmeras razões na alverca
E entre brados dos menos afortunados
tornam-se presente esforços espasmados
Mergulhando em rios da perversa exatidão
que com vãos se poetrifica pela perfeição

Nada mais banal que a cultura obsoleta
que lhe recai a mais bela vendetta
Que no alvorecer das eras
lançam-se possibilidades em terras ermas
Taxada de hipocrisia, já não vem tão cedo
toda a coragem que se retrai em medo

E a barreira que deixa surda a histeria
se confunde com o sono da apoplexia
E de uma só vez a sociedade te rebaixa a réu
como se te cortasse a garganta com fel
Ao final reflete à fúnebre cerimônia
e degusta covardemente a acrimônia

Silenciosamente torna-te íntimo da última canção
com a qual te entrega o coração
Lembrando um dueto amoroso mórbido
enterrando assim, o valor do sentimento apócrifo
No momento em que mais nada faz sentido
E nem os olhos de terceiros tornam-se ressentidos

É a hora que a podridão te consome
e nada mais clama pelo teu nome
E que cada palavra que foi pronunciada
acumúla-se na perdição da hecatombe anunciada
Ferindo pela última vez
a sociedade em toda a sua altivez


As vezes só consigo me expressar nesse assunto com um lirismo altamente condenável, mas pelo menos assim pude de alguma forma trazer à tona isso... hehe

sábado, 22 de março de 2008

Luta de Classes

Depois de meses e meses sem inspiração... continuo sem inspiração. Portanto, para não deixar o blog morrer e dar uma forcinha pra que ele continue como morto-vivo, estou postando um conto que escrevi algum tempo atrás com a minha pseudo-inspiração da época (quem me dera tê-la de volta).
O texto é uma discussão entre dois homens de classes absurdamente discrepantes, clichê total, eu sei, mas acho que nesse caso veio de bom grado, mas quem decidirá será a consciência de vocês né, afinal de contas, quem sou eu diante de uma boa crítica?
Sem mais delongas...

A Luta-de-Classes

Passava um homem engravatado, de inteligência aparente, certamente boa vida e certamente com uma família bem estruturada. Ao deparar-se com um mendigo na rua, disperso, olhando para o chão com o rosto entre as pernas, agachou-se ao seu lado e durante uma fração de segundos olhou-o com ternura, balançando a cabeça negativamente e logo em seguida abaixando-a como um último cortejo da póstuma esperança.

- O que é isto? – Questionou o mendigo.

- Uma ajuda meu amigo, temos que ajudar os mais necessitados. – Retrucou

- Qual a sua idéia de necessidade?

- Só ajudo aqueles que não tem seu sustento, aqueles que não moram e se atiram ao relento.

- É o que sou para você? Um miserável prestes a morrer?

- Eu não disse isso, caro amigo...

- Sou apenas um número na rua que mostra a sua verdade nua, aquela que tenta esconder a realidade que você não quer responder? Tira das suas costas o peso da degola, pois não se considerando culpado se inocenta do passado e se abstém da luta que estupra como sua puta!

- Não me venha com um póstumo passado, o qual retomo como um cálice escarrado! Escarrado por vocês e ninguém mais! Caem no mesmo erro e assim refaz!

Então, começa-se a formar a multidão de olhos curiosos.

- Não erramos, não acertamos, fomos formalmente condicionados a submissão, reiterados da nossa condição. Se somos pobres como eu, fadados à morte de quem se comprometeu, se como eu somos paridos da pátria, não somos parte da sociedade apátrida, se somos como você afortunado, então desfrutamos do patronato! – Continua o mendigo.

- Papo de vagabundo! Bêbado e imundo! Se dos pingos de meu suor construí minha fortaleza, é porque me esforcei com toda a certeza! Levante deste chão e lhe darei a minha mão, procure um emprego e desfaça seu receio!

- Oras, a sua escatologia é vazia! É como os pilares de uma sociedade caída! Parece mais a autofelação ilógica de uma falida sociedade retórica!

- Sua ignorância praticamente me engasga, é o tipo de pensamento que se castra! Temos um sistema que não se desfaz com palavras efêmeras! Constituído de regras e leis da inteligência de homens que assim o fez!

- Inteligência de homens que assim o fez? Só recai sobre a sociedade sua altivez!

- Altivez é daqueles que se abstém do trabalho! Assim como você tornam-se obstáculos! Infrutífero, incrédulo e, portanto irrelevante! De idéias inúteis e obstantes! Não vem na sua cabeça o quanto você deve ao Estado? Ainda vive porque ele o mantém e, portanto, é o seu legado!

- Ainda vivo porque lutei por isso, enfrentei a violência, a miséria e o egoísmo! Não vai ser um homem como você que me deixará pronto para morrer! Seu aparente sucesso não me intimida, burguês! Porque de suas palavras, somente insolidez! Como esperava que eu fosse, não sou completo ignorante! Já você, como eu esperava, é um completo arrogante! A sociedade burguesa continua criando os servos do fascismo que um dia foram ermos!

- Fascismo? Uma desculpa irreal da típica ilusão social! Não se engane com a idéia do Estado, pois sua condição atual está intimamente ligada ao seu fracasso!

- Fracasso? Não considera a idéia de um homem, fora do seu padrão social, não passar fome e não ser um animal irracional?

- Não me difame vagabundo! Tenho mais andaimes que você no mundo!

- Vagabundo é o acomodado nas tetas do sistema! Produzindo assim uma sociedade enferma! Não venha me julgar pelo que você não sabe, bem entende que a sua moral aqui não cabe! Promove a exploração em favor da mais-valia e estanca a revolução que se encaminha! Aprisiona o direito à vida e a liberdade de quem com ela lida! Ao impedir a sociedade justa e livre, você dá às pessoas uma nova crise!

- E por quê colhões eu atrapalharia esta sociedade?

- Pelo óbvio! O senhor está estritamente ligado à condição sistemática que transforma os seres humanos em seus próprios inimigos. Condimentado pela sua renda mensal privada que traduz o porquê dos pobres feridos!

- Pobres feridos ou pobres vencidos? Traduz a sua realidade que suas palavras não condizem com a verdade! A chance é igual para todos, mas quem aproveita são poucos!

- Como espera que as párias vençam na sua irreal pátria? Vocês detêm o poder da infra-estrutura a qual então reformulam a superestrutura! É fácil então os acomodados trazerem a tona discursos camuflados! A educação, a saúde e a informação não chegam pros miseráveis de sua nação! Somos as peças renováveis e substituíveis da máquina! Trabalhando com nossas vidas para a sua solução mais rápida! Enquanto vocês sentam em completo ócio e se apropriam do que, por direito, é nosso!

- Nosso? Não ironize todo o processo de formação social, pois já sabe, está fora do contexto processual! É óbvio que as propagandas mentirosas e torturas do século passado em você ainda perduram! Pena de você tenho eu, uma vez que seu futuro devaneceu!

- Meu futuro? Que absurdo! Abstenho-me do mal da sua mente que se aproveita de minha gente! Propositalmente me mantenho fora dos seus padrões e você me diz que não tenho futuro? Todos os dias luto contra os seus patrões e você me torna um vagabundo?

- Vagabundo é porque assim o quis! E nem de longe porque assim o fiz! Sabe bem que sua performance hoje em meio à multidão não passa de uma falácia de sua solidão! Esconde entre seus dentes podres o mau cheiro de suas frases aniquiladoras do sistema harmonioso dando à sociedade um status de cadáver decomposto! Mendigo, você trata sua mente assim como seu corpo, imundo, podre, incorporando o próprio nojo!

- Todo mendigo há de ser impróprio pra sociedade? Todo miserável está fadado à mediocridade? Que moral de igualdade é esta que você desfruta? Hierarquizada e de fragmentação confusa?

- De uma sociedade extremamente organizada, a fim de fazer crescer a pátria estruturada!

- Então julga que suas palavras são de verdades inestimadas e que seus condescendentes nada têm a fazer quando expropriadas?

- Se expropriadas são, tem algum motivo. Então por que ser nocivo?

Percebendo a aproximação de dois policiais militares, o mendigo aproveita a chance para dizer algumas palavras a mais:

- Porque a justiça e a liberdade não caminham juntas em irmandade! Pessoas são injustiçadas por conta da coerção de seu Estado! Abaixam a cabeça para homens fardados! Triste irrealidade que faz parte da realidade!

- É só a lei de sua pátria a qual para você não é nada!

- Não é e nunca haverá de ser! Minha pátria é o mundo com muito prazer! Porcos fardados subjugam os humilhados!

- Não se prejudique infeliz!

- Infeliz é sua pátria meretriz!

- Então de uma meretriz é filho!

- Abandonado e parido!

- Hipócrita ingrato!

- Excelente fardo!

- Agora enlouqueceu...

- A sanidade que remanesceu!

- Vamos homem, não crie mais problemas... – Um dos policiais.

- Fascista! – Grita o mendigo resistindo à prisão e com uma voz um pouco rouca

- Sou um homem honesto, livre de seu infesto! Suas palavras insanas são fortemente ardorosas que sua garganta se desfaz em contradições argilosas!

- Considere-me louco, censure-me rouco!

O homem engravatado fixou seu olhar dentro dos olhos do mendigo que gritava coisas que já não entendia mais. Olhou-o enquanto a polícia o retirava a força do local. Ao perceber os outros olhares que o crucificavam, envergonhou-se e pôs-se em seu caminho cabisbaixo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Capitalismo, na teoria ideal?


Atendendo a pedidos do meu bom companheiro Vidiball, mais uma atualização.
Volto aqui, tendo em mente, iniciar, aos poucos companheiros e bem vindos curiosos, uma discussão de bar, que me absti de participar, com centro na questão: Será o capitalismo, modelo de sistema que, em sua teoria, seria realmente ideal? Complementando a discussão: Na prática, será que esse sistema funciona? Um alguém comentou que sim, o capitalismo na teoria é ideal e ninguém mostrou-se contra, nem mesmo eu. Justificativa: nenhuma plausível, mas estava cansado para discutir.

Primeiro devemos lembrar que Capitalismo não é Neoliberalismo. Feito isto, lembremos que este sistema, iniciado tempos atrás, nasceu da necessidade de emitir, em papel-moeda (da época), a consideração em bens acumulados, uma vez que determinados valores monetários serviam em uma região mas poderiam ser dispensados em outras. Consideremos então, como um tal de Braudel, a idéia de que o sistema capitalista remonta à expansão da economia-mundo durante o Renascimento. Longa história. Relembrado isto, podemos então concluir, que o Capitalismo nasceu do acúmulo primitivo de bens. Nenhuma complicação, acúmulo primitivo de bens sejam quais sejam. Em outras palavras, o bom e velho capital. Certo, agora lembremos, que esse acúmulo de bens, estava ligado à posses. Seguindo a lógica, para ter posses, deveria ser herdeiro, pois, no primeiro momento em que, o capital era ligado à bens como gado e terras, não haveria outra maneira se bem já conhecemos a história da Idade Média. Na seqüência, devemos entender que, somente com aquisições adquiria-se outras, por meio do "escambo" de capital. Fato que exclui os miseráveis, a grande maioria, detentores somente da esperança. Ato por ato, o que levou estes poucos detentores de bens a afroxar as rédeas, certamente foram as revoluções e motins seguidos de derramamentos de sangue, sendo eles de teor ideológico ou não, em outras palavras, a pressão que sofriam lhes causavam medo. Nenhum deles teve pena e simplesmente resolveu dividir um pouco de suas regalias com a rélez, nós sabemos disso.
Por quê então, não dividiu-se também os capitais ou de uma maneira ou de outra, o papel-moeda da época? Justificaram com algo que chamam de Justiça Distributiva. Definição: O Estado é o agente a quem compete a repartição dos bens e dos encargos aos membros da sociedade. Quem dirige o Estado? Ficou óbvio o porquê da elite continuar agindo como sempre agiu, mesmo sendo elites diferenciadas, como é a burguesa da aristocrática, e não repartir a fatia do bolo com o povo?
Esta noção de repartição nos leva a um outro fator clássico. Se as considerações de capital são, principalmente hoje, material que não se multiplica, certamente que quando ganharmos algo estaremos ao mesmo tempo retirando de alguém. Por exemplo, no Brasil, circulam em torno de 250 bilhões de reais, moeda em espécie e moeda escritural. Se resolvêssemos simplesmente emitir notas a mais do que estes 250 bilhões, deflagraríamos em inflação, seguido por aumentos de juros, impossibilidade de sustentação de empresas, aumento do preço dos produtos, demissões em massa, o que levaria então, ao desempregado impossibilitado de comprar e portanto a empresa ainda mais sem lucros, que levaria também a uma má vista ao risco-país, não investimento no país, e por fim, déficit comercial. Por isso no capitalismo, ou retiramos de alguém ou não ganhamos nada.
Então, esta elite, obedecendo aos seus hábitos, criou leis, acima de coercitivas, manipuladoras, uma vez que apresentavam-se como o valor intrínseco de uma sociedade organizada. Doce viés. Obviamente, como já há de se perceber, há tempos, estas leis, de nada mais serviram, em sua essência, para em primeiro lugar, cegar os miseráveis com falsas esperanças. Como já dizia o nosso velho professor Bakunin: "é melhor a ausência de luz do que uma trêmula e incerta, servindo apenas para extraviar aqueles que a seguem". Exemplo: transformar o cristianismo, em meio a onda de revoltas da época, em religião oficial (há quem discorde). Em segundo lugar, dava-lhes o direito de permanecerem sentados em nossas cabeças, protegendo seu capital. Não haveria de ser diferente, afinal, mais de 90% das leis que residem hoje na legalidade, certamente são frutos desta antiga elite. Pouco vinculado lá, vem da base da sociedade. Terceiro ponto, e talvez mais importante, é que estes, que criam as leis, sabem que com elas têm que controlar o resto da sociedade, mesmo que com a chamada democracia, e portanto, defendem seus direitos, como a renúncia de cargo político para a não cassação de seus direitos, celas separadas para aqueles de maior escolaridade (obviamente, na maioria dos casos, ricos) e por aí vai.
Acabando a mínima noção do que achei importante e por bem publicar hoje, sinto-me no dever de lembrar a todos, que esta não é nem de longe a melhor definição que pude chegar para completar meu raciocínio, até porque seria necessário deveras horas e dias para contemplar-nos com essa questão, uma vez que nem sequer citei Marx, Proudhon, Saint-simon e tantos outros ou Adam Smith e Locke. Ainda assim, com meu ponto de vista minimamente exposto, dou por aberta uma discussão interminável, já começando pela minha resposta. O sistema capitalista não é, na teoria, ideal, mas na prática, ele é exatamente como deveria funcionar, pois não passa de uma maquinária em pról de uma elite.

Discussão aberta.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Bertold Bretch


Mais uma vez saúdo os leitores deste blog e como de costume saúdo os revolucionários libertários que aqui entendem ser mais um canto que aspira a liberdade. Formal demais.
Enfim, uma vez mais me disponho a fornecer material de terceiros no meu blog. E assim o será por muitas vezes durante a existência do mesmo.
Na minha visão, que é totalmente simplista, eu refuto aqueles que alguns insistem em dizer que são poetas, nisto estão incluídos, na lista nacional, caetano veloso (que aliás, tem uma péssima voz), clarisse lispector (totalmente odiosa) e outros. Quanto à cultura poética do Brasil, entendo que só se salva Augusto dos Anjos. Lembrando que não estou falando de contos e sim de poesias, se falarmos de contos posso lembrar Graciliano Ramos e Lima Barreto, assim como posso odiar, na mesma área, Clarisse Lispector novamente (mulher chata!). Lembrando também que gosto de Agrippino Grieco que só o conheci por meio do livro "Gralhas e Pavões", que colocou-se contra os modernistas na época, incluindo Monteiro Lobato. Aliás, me permito por aqui algumas citações do mesmo:

"Fez do patriotismo matéria paga nos jornais."
"Houve Integralismo na França e Portugal antes de haver no Brasil"
"Das figuras bíblicas só admirava Caim e Judas" (hahahaha)
e infelizmente, como nem sempre as coisas hão de convir, Grieco era homofóbo:
"Lendo a Bíblia, achou que Jeová foi excessivo destruindo Sodoma."
"Efebos que andam à procura de um Sócrates"

Seguindo em frente...
Hoje estou postando o homem que me inspira a escrever, ainda que mal, Bertold Bretch. Claro que toda vez que leio Shakespeare ou Augusto dos Anjos, seja em prosa, seja em poesia, também sinto vontade de escrever, entretanto, nenhum deles fala tão bem daquilo que sonho e me sustento todos os dias quanto Bertold. Relembrando, e deixando mais uma vez claro que não sou marxista, e sim anarquista, devo, mais uma vez, edificar a construção de um companheiro marxista, como foi este. Nasceu na Alemanha, e como de praxe, filho da burguesia, desligou-se da mesma influenciado pela falecida URSS. Aqui uma singela e póstuma homenagem à minha fonte de inspiração poética:


"Elogio do Revolucionário









Quando aumenta a repressão, muitos desanimam.

Mas a coragem dele aumenta.
Organiza sua luta pelo salário, pelo pão
e pela conquista do poder.
Interroga a propriedade:
De onde vens?
Pergunta a cada idéia:
Serves a quem?
Ali onde todos calam, ele fala
E onde reina a opressão e se acusa o destino,
ele cita os nomes.
À mesa onde ele se senta
se senta a insatisfação.
À comida sabe mal e a sala se torna estreita.
Aonde o vai a revolta
e de onde o expulsam
persiste a agitação."


"Sobre A Violência

A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito do rio que a contem
Ninguem chama de violento.


A tempestade que faz dobrar as betulas
É tida como violenta
E a tempestade que faz dobrar
Os dorsos dos operários nas ruas?"



Aos mais interessados e curiosos, mais poesias em:
http://www.culturabrasil.org/brechtantologia.htm

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Navalhas na noite


Então pessoal, hoje estou divulgando o fanzine de um amigo meu, o punk navalha!
Sim o título dá-se à tradicional música da banda Blitz, Razor in the night.
Toma-lhe uma pequena parte do zine:

"Tudo isso sintetiza bem a proposta deste fanzine sem maiores pretensões
megalomaníacas. E que fique claro: ESTE FANZINE NÃO É,E NEM VAI SER, “DE PUNK
PUNK PARA PUNK”, ELE “È O QUE È E PARA QUEM ASSIM O QUIZER”(frase já dita por um
membro da banda Ulster ao defini-la). Enfiem sua “cultura de fodida resistência
radical cotidiano” e blá e blá blá blá, “revolucionar o cotidiano”, blá blá no
olho dos seus respectivos CUS. Lutem por coisas mais concretas para classe
trabalhadora ao invés dessa baboseira ganguista e pequeno-burguesa."

O arquivo está em .pdf, segue o link:
http://rapidshare.com/files/41204874/navalhas_na_noite_no.1.pdf.html

Ao abrir o link, va em "free" e digite o código que lhe for pedido
um novo link para download será aberto.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Os Partidos Politicos

Hoje vim fazer a primeira postagem de um trabalho meu, mas infelizmente esse trabalho ainda não está finalizado, precisa passar por algumas revisões e pretendo fazer um outro menor, que não entre em detalhes históricos. Os detalhes históricos também estão bem superficiais, peguei somente os maiores acontecimentos políticos da época.
O trabalho diz respeito à real funcionalidade dos partidos políticos para com a sociedade e dentro do sistema, negando que os mesmos, sejam realmente instrumentos de desenvolvimento e manutenção da sociedade, dando ênfase as saídas tomadas pelos governos brasileiros para tentar resolver o impasse das diferenças entre os partidos variados que ganharam cadeiras nas casas políticas do país. Uma prévia:

"Considerando o sistema vigente, pode-se dizer então, que seu dinamismo deve-se à busca de
poder. Neste sentido, considerando então o sistema político, devemos entender que, salvo
algumas excessões, ninguém governa sozinho, há uma disputa entre os partidos e portanto,
para se governar deseja-se o máximo de poder e então de cadeiras no senado, na câmara e
etc. Somente com o poder absoluto, pode-se fazer tudo sem oposição. Então, o partido polí-
tico é uma vertente do absolutismo, como já elucidado há tanto tempo, e por requerer também
o poder, logo ele alimenta o sistema vigente."

10 paginas, rapidinho de ler! Aqui o link para baixar:
http://rapidshare.com/files/37962547/Os_partidos_politicos.rtf.html

Ao abrir o link, va em "free" e digite o código que lhe for pedido
um novo link para download será aberto.